Pacientes com doença mental grave perdem atendimento odontológico crítico

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Pacientes com doença mental grave perdem atendimento odontológico crítico

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Um estudo qualitativo identificou razões pelas quais pacientes odontológicos com doença mental grave correm um risco muito maior de ter problemas de saúde bucal. (Imagem: Shutterstock/Elnur)

YORK, Reino Unido: Pacientes que lutam com doença mental grave (SMI- sigla em inglês) são três vezes mais propensos a enfrentar edentulismo total do que a população em geral, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de York. O estudo qualitativo, realizado por meio de entrevistas com prestadores de serviços e pacientes, destacou a existência e as causas de desigualdades significativas em saúde bucal e sugeriu mudanças que poderiam ser feitas pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS- sigla em inglês).

Masuma Mishu, pesquisador epidemiológico da Universidade de York e principal autor do estudo, disse em um comunicado à imprensa: “Pessoas com doença mental grave têm saúde bucal pior em comparação com aquelas sem doença mental e cárie dentária não tratada é uma causa comum de internações hospitalares não psiquiátricas para este grupo. Nosso estudo aborda a necessidade urgente de entender as razões por trás dessas desigualdades na saúde bucal”.

Foram entrevistados sete participantes com doenças mentais graves, como esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo ou transtorno bipolar, além de dez profissionais de saúde, entre cuidadores, dentistas, enfermeiros e médicos. Os participantes do primeiro grupo citaram as barreiras mais significativas para manter uma boa saúde bucal como sendo uma luta geral para cuidar de sua saúde geral devido ao SMI, finanças limitadas e dificuldade em encontrar um dentista do NHS a uma distância razoável que não os abandonasse como paciente por faltar às consultas devido à sua saúde mental. Além disso, os pacientes notaram a necessidade de um prestador de cuidados odontológicos em quem pudessem confiar, particularmente um que fosse informado sobre traumas e geralmente educado sobre questões psicológicas.

O grupo de profissionais de saúde entrevistados fez uma série de sugestões para melhorar a experiência do paciente com SMI. Essas sugestões incluíram uma melhor comunicação com os pacientes, o reconhecimento do paciente como um todo, o desenvolvimento de uma abordagem personalizada para cada paciente e a inclusão do cuidador do paciente em seu plano de saúde bucal. Os profissionais de saúde observaram que problemas como faltas a consultas e alto número de casos causaram descontinuidade do atendimento.

A coautora do estudo, Profa. Lina Gega, que leciona no Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de York, disse: “Estamos pedindo que a saúde bucal seja incorporada ao planejamento de cuidados para aqueles que sofrem de graves problemas de saúde mental. Oferecer apoio, como visitas acompanhadas organizadas ao dentista, pode ajudar a aliviar as ansiedades e superar as barreiras práticas em torno de check-ups e tratamentos odontológicos.”

O Dr. Mishu delineou um plano para ajudar os profissionais de saúde do NHS a criar uma nova cultura na qual eles possam discutir melhor a saúde bucal e se envolver com pacientes com SMI. Ela explicou: “Trabalhando em estreita colaboração com usuários de serviços, cuidadores, pesquisadores de saúde pública e parceiros do NHS, queremos co-projetar uma intervenção em nível de sistema para pessoas com doenças mentais graves. Isso será projetado para incentivar o treinamento e a prestação de apoio colaborativo por parte da equipe de saúde mental e odontológica. Nosso objetivo é fornecer suporte abrangente e personalizado, desde incentivar a saúde bucal pessoal até organizar visitas odontológicas acompanhadas e ajudar com a papelada, permitindo que os pacientes acessem financiamento adicional.”

O estudo, intitulado “A qualitative study exploring the barriers and facilitators for maintaining oral health and using dental service in people with severe mental illness: Perspectives from service users and service providers”, foi publicado em 5 de abril de 2022 no International Journal of Environmental Research and Public Health.

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