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Em um estudo recente, 21 de 921 pacientes odontológicos pediátricos assintomáticos testaram positivo para COVID-19. (Imagem: Dmytro Zinkevych/Shutterstock)

Pacientes odontológicos pediátricos assintomáticos como potenciais portadores de SARS-CoV-2

By Iveta Ramonaite, Dental Tribune International
May 14, 2021

CHICAGO, EUA: Em um estudo recente, pesquisadores examinaram a prevalência de COVID-19 em odontopediatria testando crianças durante sua visita ao consultório do odontopediatra. O estudo relatou que, embora todas as crianças que participaram do estudo fossem assintomáticas, algumas delas tiveram resultado positivo após testes de reação em cadeia da polimerase (PCR- sigla em inglês). Isso sugere que o teste de pacientes odontológicos pediátricos pode ajudar a identificar melhor os portadores de SARS-CoV-2 em potencial e, subsequentemente, reduzir as taxas de transmissão.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, atualmente mais de 152 milhões de casos de COVID-19 foram confirmados em todo o mundo. Os EUA têm o maior número de casos confirmados, mais de 63 milhões. Embora mais de 1 bilhão de doses de vacinas tenham sido administradas globalmente, a pandemia continua a representar uma ameaça psicológica e à saúde de bilhões de pessoas que sofrem as consequências do distanciamento social, bem como outras restrições impostas em suas vidas diárias.

De acordo com os autores do estudo, as crianças com COVID-19 são geralmente assintomáticas e a doença grave devido à SARS-CoV-2 em crianças é rara. É por isso que os programas de rastreio muitas vezes visam apenas a população adulta. No entanto, embora assintomáticas, as crianças podem potencialmente carregar altas cargas virais de SARS-CoV-2 e, portanto, ser uma fonte de infecção.

Relatórios sobre a taxa de positividade para SARS-CoV-2 em Odontologia

O estudo é o primeiro a relatar a taxa de positividade para SARS-CoV-2 em Odontologia. Foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago (UIC) e incluiu 921 pacientes que visitaram as clínicas odontológicas da UIC para procedimentos odontológicos de emergência de 1º de abril a 1º de agosto de 2020. Todos os participantes foram examinados por telefone antes de virem à clínica e estavam assintomáticos quando chegaram para as consultas.

Uma vez na clínica, os pacientes foram submetidos a um teste de PCR para infecção por SARS-CoV-2. Falando sobre o processo de teste, a coautora Dra. Flavia Lamberghini, professora assistente clínica do departamento de odontopediatria da UIC, disse que as crianças toleraram bem o teste. “Fomos treinados por um pediatra sobre como fazer o teste”, disse ela em um comunicado à imprensa. Ao usar o cotonete nasal, os pesquisadores tentaram tornar o processo de teste o mais agradável possível. “Dissemos às crianças: ‘Estamos colocando uma borboleta em seu nariz’, afirmou Lamberghini.

Os pacientes testados tinham entre 2 e 18 anos, com mediana de 6 anos. Os pesquisadores abstraíram suas características sociodemográficas e calcularam suas taxas de positividade. De 921 pacientes, a taxa geral de positividade para SARS-CoV-2 foi de 2,3%. Os pesquisadores observaram que as taxas de positividade foram estatisticamente maiores para pacientes latinos (3,1%). No entanto, isso pode ser explicado pelo fato de que 63% das crianças estudadas eram latinas.

Lamberghini observou que o estudo não incluiu variáveis e que os participantes não foram solicitados a responder a perguntas sobre distanciamento social e exposição ao vírus. No entanto, uma vez que uma criança testou positivo para COVID-19, os pesquisadores entraram em contato com o pediatra e os cuidadores da criança e os incentivaram a seguir as diretrizes recomendadas para prevenir a propagação da doença.

Os pesquisadores comentaram que havia uma ligeira confusão entre os cuidadores que não sabiam que seus filhos tinham COVID-19. “Para a maioria deles, foi uma surpresa saber que seu filho testou positivo”, afirmou Lamberghini. No entanto, informar as famílias sobre os resultados positivos é crucial, observou ela, especialmente porque algumas famílias extensas vivem juntas em comunidades. Além disso, os resultados são igualmente importantes para os profissionais de saúde bucal que atendem as crianças e correm o risco de infecção.

“Como dentistas, estamos mais expostos à doença COVID-19 porque trabalhamos perto da boca e nossas ferramentas geram aerossóis que podem infectar o dentista e o assistente de dentista - quem quer que esteja por perto”, observou ela.

A importância de testar pacientes odontológicos pediátricos assintomáticos

Normalmente, as crianças que recebem procedimentos odontológicos não precisam se submeter a testes de PCR. No entanto, de acordo com os resultados, os pesquisadores sugeriram que testar pacientes pediátricos assintomáticos para COVID-19 pode ser útil.

“Nossos resultados [...] apóiam a noção de que a implementação do teste SARS-CoV-2 pode ser particularmente útil em clínicas odontológicas pediátricas que prestam atendimento a grupos sociodemográficos com elevada prevalência da doença com base em registros locais. Além disso, nossos resultados confirmam que a implementação de questionários, embora útil para identificar pacientes de alto risco, não elimina completamente o risco de propagação de SARS-CoV-2 em consultórios odontológicos ”, escreveram os pesquisadores.

“Nossos resultados confirmam que a implementação de questionários [...] não elimina completamente o risco de propagação de SARS-CoV-2 em consultórios odontológicos”
- Dra. Flavia Lamberghini, UIC

Para tanto, os pesquisadores comentaram que o uso de testes rápidos COVID-19 poderia oferecer maior proteção em um consultório odontológico, mas que os custos são proibitivos. No entanto, os consultórios odontológicos, especialmente aqueles que retomam os cuidados, devem considerar a adição do teste SARS-CoV-2 ao uso de ferramentas de triagem, equipamentos de proteção individual e estratégias de controle de fonte antes de usar procedimentos geradores de aerossol, concluíram os pesquisadores.

Finalmente, embora algumas crianças tenham testado positivo no estudo, os pesquisadores não observaram a transmissão para a equipe clínica. Isso, segundo os pesquisadores, destaca a eficácia dos equipamentos de proteção individual.

O estudo, intitulado “Severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 infection in asymptomatic pediatric dental patients” foi publicado na edição de abril de 2021 do Journal of the American Dental Association.

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