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A pulpotomia terapêutica surge como uma alternativa ao tratamento de canal radicular

Um novo estudo demonstrou que, em certas situações clínicas, a pulpotomia terapêutica pode ser uma opção de tratamento preferencial ao tratamento de canal. (Imagem: manassanant/Adobe Stock)

sex. 20 março 2026

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DUNDEE, Escócia: O tratamento da pulpite irreversível em dentes permanentes está passando por uma mudança gradual, porém significativa. Os avanços na compreensão diagnóstica e nos biomateriais renovaram o interesse em terapias pulpares vitais. Um novo estudo que analisou as opiniões de dentistas do Reino Unido e dos Estados Unidos explorou como as práticas clínicas contemporâneas estão evoluindo, particularmente em relação à pulpotomia terapêutica como opção de tratamento definitivo.

O estudo apresenta os resultados de uma pesquisa prática que comparou as perspectivas de 750 dentistas do Reino Unido e dos Estados Unidos sobre o tratamento da pulpite irreversível. A maioria dos participantes eram clínicos gerais atuantes na atenção primária, refletindo uma perspectiva mais ampla do que a de uma amostra composta exclusivamente por especialistas. O tratamento de canal foi a intervenção predominante em ambos os países, mas a pesquisa destaca uma clara e crescente abertura à pulpotomia terapêutica .

Embora a pesquisa tenha constatado que a pulpotomia é subutilizada na prática clínica de rotina, uma parcela substancial dos profissionais relatou que estaria disposta a considerá-la como uma opção definitiva em condições apropriadas. Essa discrepância entre a aceitação teórica e a adoção clínica efetiva aponta para barreiras persistentes, como treinamento limitado, incerteza quanto aos resultados a longo prazo e paradigmas de tratamento arraigados que favorecem a pulpectomia.

As diferenças entre os dois países foram notáveis. Os profissionais do Reino Unido demonstraram maior aceitação teórica da pulpotomia como tratamento definitivo, o que pode refletir diferenças na formação de graduação, na exposição à odontologia minimamente invasiva e nos modelos de prestação de serviços de saúde. A escolha do material também variou, com os participantes do Reino Unido relatando maior uso de cimentos de silicato de cálcio. Esses achados sugerem que a educação, a disseminação de diretrizes e fatores sistêmicos influenciam fortemente a adoção de terapias pulpares vitais.

Do ponto de vista clínico, o estudo reforça a importância do diagnóstico preciso e da seleção criteriosa de casos no manejo de dentes com sinais de pulpite irreversível. Quando os sinais clínicos e radiográficos sugerem inflamação confinada à polpa coronária e o tecido apical está normal, sendo possível alcançar a hemostasia, a pulpotomia terapêutica pode oferecer uma alternativa menos invasiva e biologicamente orientada ao tratamento endodôntico. Os autores concluem que mais ensaios clínicos de alta qualidade, aprimoramento da educação profissional e suporte prático à implementação são essenciais para preencher a lacuna entre as evidências emergentes e a prática diária, melhorando, em última análise, o atendimento centrado no paciente na odontologia primária.

O estudo, intitulado  “Therapeutic pulpotomy for permanent teeth with irreversible pulpitis: Comparative results from a practice-based quick poll in the USA and UK”,  foi publicado online em 2 de fevereiro de 2026 no BDJ Open.

 

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