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COVID-19 e violência doméstica: como os dentistas podem ajudar quem precisa de ajuda

By Brendan Day, Dental Tribune International
August 27, 2020

LONDRES, Reino Unido: As medidas de distanciamento e isolamento social, introduzidas em inúmeros países durante a pandemia de SARS-CoV-2, inegavelmente ajudaram a conter a propagação do vírus. Um efeito colateral não intencional e negativo, entretanto, foi um aumento na incidência de violência doméstica. Um artigo publicado recentemente no British Dental Journal (BDJ) procurou esclarecer qual o papel dos profissionais da Odontologia, especialmente os cirurgiões buco-maxilo-faciais, em tais situações e como eles podem ajudar melhor os pacientes que foram afetados por essa forma de abuso.

De acordo com a ONU Mulheres - um órgão das Nações Unidas dedicado à igualdade de gênero - o surto de COVID-19 foi acompanhado por uma sombra pandêmica de aumento da violência doméstica contra as mulheres. Na Argentina, por exemplo, as chamadas de emergência relacionadas diretamente a casos de violência doméstica aumentaram 25% desde o início da pandemia. Enquanto isso, uma pesquisa do Instituto Australiano de Criminologia revelou que um número chocante de 8,8% das mulheres australianas em um relacionamento foram submetidas à violência por um parceiro que coabitava entre fevereiro e maio deste ano.

Dentistas precisam ajudar vítimas de violência doméstica

Conforme enfatizado pelos autores do artigo no BDJ, estudos sugerem que entre 65% e 95% das agressões físicas de violência doméstica resultam em traumas faciais para a vítima. Portanto, os profissionais de Odontologia muitas vezes têm o dever importante de identificar os pacientes que podem ter sido agredidos dessa maneira e de encaminhá-los imediatamente para as agências e serviços locais apropriados.

Abordar as vítimas suspeitas de violência doméstica pode ser difícil, no entanto, em situações em que a revelação de tais incidentes não pode ser possível - por exemplo, se o autor da violência estiver presente. Segundo os autores, isso é particularmente verdadeiro se a consulta for realizada por telefone enquanto o paciente está em casa. Nesses casos, pode ser útil providenciar um encaminhamento a uma agência adequada por meio de outro método de comunicação ou, se possível, fornecer discretamente ao paciente um número de contato para ser usado em um momento mais seguro.

O Dr. Paul Coulthard, coautor do estudo e reitor de Odontologia, diretor do instituto e professor de Cirurgia Oral e Maxilo-facial do Instituto de Odontologia da Queen Mary University of London, disse ao Dental Tribune International que espera que uma luz da pandemia venha ser a criação de novas formas para as equipes odontológicas identificarem e contatarem com segurança as vítimas de violência doméstica.

“Tem havido uma maior conscientização sobre o aumento do risco de violência doméstica e abuso devido às restrições de movimento e à necessidade de isolamento doméstico, então os profissionais de Odontologia e a equipe de cirurgia buco-maxilo-facial devem aumentar seu estado de alerta e compromisso com a identificação e encaminhamento”, Coulthard disse.

O artigo, intitulado “COVID-19, domestic violence and abuse, and urgent dental and oral and maxillofacial surgery care”, foi publicado on-line em 26 de junho de 2020 no British Dental Journal.

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